terça-feira, 1 de outubro de 2013

F1 - O outro lado de James Hunt

Fuçando Fórmula 1 na internet como sempre achei um texto no site "jalopnik", sobre nosso amigo mulherengo James Hunt e descobri que por trás do conquistador de aeromoças temos também um outro James Hunt, confiram:


James Hunt: a luta contra o Apartheid que você não viu em “Rush”
POR - PATRICK GEORGE - 25 SET, 2013 - 12:01

 
 James Hunt é lembrado por suas paixões. É reverenciado por seu espírito competitivo, sua imensa habilidade ao volante e  sua atitude inconsequente. Também é lembrado por suas farras, dormindo com mulheres a poucos metros do autódromo (e às vezes até instantes antes de uma corrida). Mas Hunt também tinha uma paixão por justiça social que não é tão famosa.
A Fórmula 1 foi um dos últimos esportes a deixar a Africa do Sul na época do Apartheid
Hunt, campeão de Fórmula 1 cuja rivalidade com Niki Lauda pelo título de 1976 está agora imortalizada no filme “Rush — No Limite da Emoção”, de Ron Howard, também era ferrenho opositor da política racista do Apartheid na África do Sul, e usou sua posição como comentarista de F1 para se manifestar contra o regine. Não é algo de que as pessoas lembram quando pensam em Hunt, mas talvez seja a hora de todos começarmos a fazê-lo.
Mas antes, vamos colocar tudo em contexto. A carreira de Hunt na F1 foi de 1973 a 1979, período em que ele correu pela Hesketh, pela McLaren e, por fim, pela Wolf. Excluídas algumas tentativas de voltar a correr, Hunt passou a transmitir corrida de F1, no programa da BBC 2 “Grand Prix”.
Murray Walker
 Mas estar na TV não significa que Hunt parou de ser aquele cara que já pediu um cigarro no meio de uma entrevista, tornando-se um robô sem alma. Longe disso. Ele sempre discutia com o lendário apresentador Murray Walker e nunca deixava de dar sua opinião, não importava o quanto suas respostas fossem ríspidas ou obscenas. Uma vez, ele até disse que os comentários de um piloto sobre motores aspirados eram bullshit — o equivalente a dizer que ele estava “falando merda”.
Em outras palavras, Hunt manteve sua personalidade, e é por isso que os fãs de corridas adoravam assisti-lo. Ele nunca teve medo de dizer o que pensava em pleno ar, e isto incluía suas opiniões políticas — especialmente quando o assunto era o Apartheid na África do Sul.
Mas antes de falar mais de Hunt, é importante falar do que estava acontecendo naquele país na década de 80. Àquela altura, a opisição ao Apartheid atingia seu pico, tanto dentro da África do Sul quanto em âmbito internacional. A nação sofria com protestos e muita pressão do lado de fora, mirando no sistema que empregava segregação racial e fornecia serviços interiores a quem não era branco — tudo dentro da lei.
A maioria dos esportes deixou de realizara eventos na África do Sul na metade da década de 80. A Fórmula 1 foi um dos últimos, embora várias equipes tenham boicotado o GP da África de 1985. Hoje em dia aquela corrida é uma nota de rodapé obscura na história da F1.
Hunt se opunha veementemente ao Apartheid, e uma vez deixou isto claro no ar, para a preocupação dos oficiais da BBC. Eis um trecho de uma história que Walker contou no Daily Mirror recentemente:

Uma vez estávamos cobrindo o GP da África durante o Apartheid. De repente, e sem motivo em particular, ele começou a atacar o Apartheid.
Não tinha nada a ver com o GP, e não faria bem às relações entre o Reino Unido e a África. Nosso produtor escreveu em um pedaço de papel: “Falem sobre a corrida!”
E aí James soltou: “Graças a Deus não estamos lá de verdade!”
Esta última fala é ótima, porque Murray e a equipe não gostaram de revelar a informação de muitas vezes eles não estavam cobrindo as corridas ao vivo, e sim de um estúdio na Inglaterra.
Mas simplemente condenar o Apartheid não era o suficiente para Hunt. Ele lutou para que seus comentários sobre as corridas fossem bloqueados na África do Sul, mas não conseguiu. Então, secretamente, ele deu suporte financeiro do seu próprio bolso para grupos que lutavam contra o Apartheid na África do Sul.
Este é o comentário de um leitor do The Guardian sobre Hunt:
Durante os anos do Apartheid na África do Sul, eu organizei uma reunião no centro de Londres para indivíduos ricos e fundações que quisessem apoiar grupos que lutavam por mudanças no país. A reunião havia acabado de começar quando a campanhia tocou. Um cara vagamente familiar se desculpou pelo atraso e perguntou se podia estacionar sua moto no salão. Demorou um pouco, mas a ficha caiu. Hunt era então comentarista de corridas de F1 junto com Murray Walker. Ele não queria que seus comentários fossem transmitidos na África do Sul, mas eles foram. Então ele enviou dinheiro para grupos que eram contra o regime.
No fim, Hunt, que morreu de um ataque do coração aos 46 anos, em 1993, foi muito mais do que um piloto prodigioso que gostava de beber e dormir com comissárias de bordo. Ele era um cara que lutava pelo que acreditava e falava o que queria aguentando as consequências, mesmo que não fosse visto com bos olhos.

Vamos começar a lembrar dele por isso, também.


Rômulo Rodriguez Albarez - SP/SP - Toda moeda tem dois lados!

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