sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Michael Schumacher - 45 anos #prayforMichael


No final de 2013, Michael Schumacher deu sua última entrevista para a Mercedes, nela o alemão falou sobre o ano do time em 2013, sobre Sebastian Vettel e sobre sua vida longe da Fórmula 1, que segundo ele, não está sentindo falta das pistas, já que ainda guia para a Mercedes em eventos especiais e exibições:

- A Fórmula 1 é com certeza o mais alto nível do esporte a motor, e é ótimo guiar o carro. Adorei quando fui a Nürburgring para pilotar, mas hoje encaro como uma diversão. Fazer isso seriamente, não mais. Estou cansado disso. A Mercedes me deu a opção de continuar (a correr em 2013), mas eu decidi parar. Comecei uma nova vida e ela está muito legal. Especialmente se compararmos com minha primeira aposentadoria, realmente não estou sentindo falta. Tenho muitas outras coisas prazerosas para fazer – afirmou o alemão.

Schumacher cita também do kart, ao qual faz por diversão. Schumacher também é apaixonado por motos e esqui, mas não os citou na entrevista. Com as motos sofreu vários acidente, mas o mais sério foi causado andando de esqui no último dia 29 de dezembro, Michael está em coma desde o acidente e segundo os médicos, segue lutando pela vida.
O hepta campeão falou sobre a temporada de 2013 do seu último time na Fórmula 1, a Mercedes:

- É um grande resultado, particularmente se considerarmos onde a equipe estava no fim do ano passado. Ninguém poderia imaginar que ela sairia do quinto lugar no Mundial de Construtores para brigar pelo título. E eles fizeram isso! Agora é focar em 2014. O que nós fizemos no passado está funcionando agora, e mesmo com Ross Brawn decidindo sair, há as pessoas certas para os lugares certos, uma boa base, e creio que a Mercedes brigará pelo título no futuro. Espero que isso aconteça – explicou Michael.

Falou sobre a mudança de regulamento e o que ele espera de tudo isso:

- Penso que não devemos esperar muitas mudanças por causa dos motores, porque a aerodinâmica sempre deixa os motores em segundo plano, e sempre será assim no futuro. O melhor carro será o melhor pacote. O motor fará diferença dentro do pacote, claro, e a Mercedes está entre as melhores neste aspecto.

Sobre seu compatriota Sebastian Vettel, Michael foi só elogios:

- Ele fez um bom trabalho, foi muito consistente. Venceu todas estas 13 corridas, e o Mark Webber apenas uma, no fim do ano. É bem chocante o que ele fez com seu companheiro, que sempre é um ponto de referência. Definitivamente, ele é um verdadeiro campeão, estou feliz por ele. Se alguém tiver que bater meus recordes, prefiro que seja ele em vez algum outro. Eu fiz o que fiz na minha época, ele está construindo sua era. Fico feliz por ele – disse Schumacher.

Hoje, dia 3 de janeiro de 2014, Michael Schumacher completa 45 anos, e faz isso no momento mais delicado de sua vida, onde está em uma cama de hospital em coma desde o último dia 29. A atual situação do alemão é estável, porém crítica, grave. No dia 2 de janeiro os médicos decidiram não se pronunciar, uma vez que o paciente está estável, mas a falta de novas informações geram muita expectativa por novas notícias. A nós basta torcer por novas e boas noticias.

E boas notícias no dia de seu aniversário, seria um ótimo presente para todos nós.

Rômulo Rodriguez Albarez - SP/SP - derretendo e orando...

Michael Schumacher e Anderson Silva - "Com a palavra, Alex Dias Ribeiro" (parte 4)

Passageiros do destino?

Os acidentes de Anderson Silva no UFC em Las Vegas e Michael Schumacher numa pista de ski na França chocaram o mundo esportivo neste fim de ano quando dois atletas, por muito tempo invencíveis, foram à lona nocauteados pelo destino.

Se esse tipo de coisa acontece até com super herói, quem somos nós para escaparmos ilesos dos caprichos do destino? Miserável homem que sou, vulnerável, indefeso, vivendo como passageiro do destino, à bordo do planeta Terra girando soltinho no espaço a mais de mil por hora!

Quem está no comando dessa nave? Quem controla o nosso destino? O que espera por mim na saída da próxima curva cega da vida? E o futuro? O que será de mim?

Só posso dizer que não conheço o que o destino me reserva, mas conheço bem aquele que controla o destino. E sei que Ele me ama, quer o melhor para mim e para todos que o buscam e apostam nEle todo o seu cacife de esperança de dias melhores, não só aqui mas por toda a eternidade.

E assim já não sou mais passageiro do destino. Porque independente de toda e qualquer circunstancia podemos buscar abrigo e socorro debaixo das asas do Senhor do destino, Deus...

Alex Dias Ribeiro


Rômulo Rodriguez Albarez - São Paulo/SP - orando...

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Feliz 2014 - Ano de copa, ano de 30, uma nova largada...



Mais um ano se vai, ou menos um ano em nossas vidas, difícil escolher uma das duas frases.
2013 se foi, um ano de lágrimas, dor, dúvidas, burradas, erros, mas principalmente um ano de amadurecimento, volta por cima, trabalho, superação, acertos.
O importante é que em tudo aprendemos, uma certa pessoa me disse ontem que em tudo Deus vai nos moldando, e isso é verdade.
Tudo é ensinamento, tudo é experiência, basta termos sabedoria para não cometer os mesmos erros, ou pelo menos evitá-los e saber que, nosso passado, certo ou errado só nos serve como lembrete para nos tornar pessoas melhores.
É seguir em frente, fazendo o melhor, fazendo a vontade de Deus e com certeza tudo dará certo, mesmo quando tudo estiver "dando errado", dentro da vontade de Deus, com certeza dará certo.
Uma nova largada se inicia com a chegada de um novo ano, hora de procurar ser melhor, hora de agir, sem medo, confiante em Deus.
Na verdade não é porque está começando um novo ano que devemos começar a buscar melhoria em nossa existência, toda hora é hora disso, mas as pessoas gostam de ler, então está aí.
Feliz 2014 cambada!

Rômulo Rodriguez Albarez - SP/SP - #prayformichaelschumacher 

Michael Schumacher #prayforMichael

Aqui no blog o ano já havia terminado quando recebemos a terrível notícia do acidente de Michael Schumacher. O ex-piloto e heptacampeão de Fórmula 1 sofreu um grave acidente quando esquiava em uma parte não sinalizada de uma estação de esqui na França.
Dois dias após o acidente Schumacher segue "lutando pela vida" segundo os médicos que estão cuidando do alemão, que segue em estado grave.
Michael nunca esteve entre meus pilotos favoritos, e isso acontece não só na minha lista de pilotos favoritos, mas na maioria, mas é impossível deixar Schummi de lado quando o assunto é relacionado aos maiores da história, o alemão certamente está ali, no top 5, pra não dizer top 2.
O momento é de torcer pela vida de Michael, o momento é de aguardar, de ter fé. O alemão faz 45 anos dia 03 de janeiro. #prayforSchumacher


Rômulo Rodriguez Albarez - São Paulo/SP - orando.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Mark Webber - Nada mal para um segundo piloto!

Mark Webber em 2002 na Minardi
Um vídeo bem feito homenageando Mark Webber, que se aposentou da Fórmula 1 em 2013.O vídeo mostra imagens de toda a carreira do australiano, desde seu primeiro GP, em que correu na Austrália com um Minardi e faturando um mágico 5º lugar, depois passando por Jaguar, Williams, Red Bull e os mais famosos episódios com Sebastian Vettel, incluindo o "multi 21" até a última corrida, no Brasil em que Mark terminou em segundo. Vale a pena:


Rômulo Rodriguez Albarez - São Paulo/SP - Ociosidade!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Nelson Mandela - "Com a palavra, Alex Dias Ribeiro" (parte 3)

Nelson Mandela - 1918 - 2013

E com a palavra, Alex Dias Ribeiro

Se não fosse o Mandela...

Durante 11 anos lecionei para lideres dos quatro cantos do mundo em uma escola de formação de lideres de ministérios esportivos em Stellenbosch na África do Sul.

Aproveitei uma dessas viagens para realizar um sonho: participar de um Safari! Para ganhar um dia a mais em minha aventura com leões, elefantes, rinocerontes, girafas e outros bichos mais, resolvi voltar no trem noturno para Johanesburgo onde pegaria meu vôo para o Brasil.

O dono da excursão foi comigo até a estação acompanhar o meu embarque. Ele era um coroa grandão, meio barrigudo, muito forte e descendente de holandeses nascido e criado África do tempo de Apartheid.

Na maior cara de pau ele furou ostensivamente, junto comigo, uma fila de umas 200 pessoas que esperavam o guichê abrir para comprarem suas passagens. Como não encontrou ninguém do outro lado da grade, ele começou a esbravejar e gritar numa língua que eu não entendia.

Quando o funcionário apareceu, ele o tratou aos berros que nem cachorro sem dono, até arrancar de suas mãos uma passagem para mim. Colocou o bilhete na minha mão, na frente de todos da fila furada, despediu-se rapidamente e foi embora, deixando-me, mudo e morto de vergonha e medo.

Um detalhe; eram todos negros e eu o único branco no meio da multidão deles. A cena foi tão grotesca que em nossa cultura eu deveria ser linchado merecidamente só por estar junto com aquele branco que cresceu tratando seus conterrâneos daquela maneira.

Os olhares da multidão focada em mim não eram lá muito amáveis, a noite inteira viajando numa cabine sem tranca na porta, foi um misto de insônia e pesadelos onde eu me via esfaqueado e jogado pela janela do trem...
Mas nenhum deles teve uma palavra, gesto ou atitude ofensiva contra a minha pessoa.

E assim eu senti na pele o que a liderança de um homem de boa vontade e princípios de paz pode exercer na vida e no coração de seus liderados. Depois de 27 anos na prisão por conta de seus ideais, Nelson Mandela na posição de presidente da África do Sul, teve a faca e o queijo na mão para se vingar de seus opressores com um banho de sangue sem precedentes na historia de seu país. Mas preferiu os caminhos do perdão e da paz. E os incutiu muito bem em seus seguidores.

O que poucos sabem, porque esse tipo de noticia não dá muito IBOPE, é que Nelson Mandela teve uma formação Cristã em sua infância e tinha a Bíblia por companheira em sua cela na prisão. Se assim não fosse, é bem provável que eu não voltasse vivo daquela viagem...


Alex

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." Nelson Mandela
Rômulo Rodriguez Albarez - Sampa/SP - Salve Madiba!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

F1 2013 - A histórica despedida de Mark Webber

Como todos sabem Mark Webber é um de meus pilotos favoritos, ele não é um multi-campeão ou uma lenda do esporte, mas ele vê a Fórmula 1 de um jeito mais humano, que respeita suas tradições, que é contra esse excesso de burocracia ao qual o capitalismo impôs a categoria, ou seja, um Fórmula 1 que não existe mais.
A despedida de um piloto que pode se orgulhar de sua carreira é sempre especial, eu estava em Interlagos na despedida de David Coulthard em 2008, o escocês que foi um piloto mais ou menos do mesmo calibre de Mark, correu com uma Red Bull personalizada, foi bem legal, porém ele não terminou corrida por problemas com o carro, e por coincidência, Webber era o companheiro de Coulthard.

Despedida foi algo que faltou para pilotos como Giancarlo Fisichella, Jarno Trulli, os italianos ainda tentavam vaga para o próximo ano e quando se deram conta, estavam desempregados.
Talvez uma despedida foi a única coisa que faltou para Rubens Barrichello, além do título claro.
Voltando a Mark Webber, o australianos fez de sua despedida algo especial, algo que se tornou a imagem do GP Brasil e com certeza uma das três imagens que mais marcaram no ano, ao tirar o capacete, na pista, voltando para os boxes, Webber mostrou e provou tudo que ele vem tentando mostrar e falar, foi algo épico, histórico e que representa muito mais do que simplesmente um piloto com a cara no rosto.

Mark Webber esfregou na cara dos que comandam a Fórmula 1 que o fator "show", "espetáculo", "o que o público quer e tem direito de ver" precisa voltar imediatamente para a Fórmula 1, a categoria está ficando chata, os pilotos são humanos, o público quer ver show, quer ver algo inesperado, quer ver zerinhos, piloto subindo na grade, o público quer contato com a Fórmula 1 e toda a emoção que ela é capaz de dar.

Abaixo a entrevista de Webber sobre sua despedida com direito a volta histórica e tombo no pódio:

“Não foi fácil separar o Hans do capacete, então eu passei metade da volta tentando tirar o Hans. Eu consegui, mas os carros são muito barulhentos quando se está sem capacete. Eu sei disso, estava realmente barulhento. Você pode ouvir muitas coisas que você não quer ouvir com o capacete, com certeza. Foi bom tirá-lo”, detalhou Webber.

“Neste esporte, nem sempre é fácil mostrar a pessoa que você é por trás do volante. Podemos fazer isso em um monte de esportes, mas na Fórmula 1, na qual sempre estamos de capacete. Foi bom pilotar sem ele. Você só é visto sem capacete no pódio se tiver um bom dia, e nós dois (Webber e Vettel) conseguimos. No fim, peguei um pouco de tráfego, então os comissários devem ter se preocupado um pouco que eu não consegui virar para a esquerda. Mas no fim das contas, foi tudo bem”, completou.

“Quero agradecer à equipe, eu realmente aproveitei as últimas voltas. Foi uma grande maneira de terminar. Quero agradecer a todos na Austrália – eu não estaria aqui se não fosse o apoio nos primeiros dias. Aproveitei muito toda minha carreira. Foi uma grande jornada, da qual eu estou orgulhoso, e há muitas pessoas que tiveram um papel fundamental na minha carreira. Elas sabem quem são. Obrigado se vocês estão assistindo. Aproveitem a Fórmula 1 no ano que vem com esses caras”, finalizou.

Mark Webber com certeza fará falta nessa Fórmula 1 cada vez mais distante de seu público.

Rômulo Rodriguez Albarez - São Paulo/SP - sono!

Emerson Fittipaldi sobre Ayrton Senna

Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna
O texto abaixo relata um Ayrton Senna que apenas uma pessoa conhece, Emerson Fittipaldi, o texto original em inglês foi traduzido por Juliano “Kowalski” Barata, do site Tazio F1. Emerson conta desde o dia que conheceu Senna até o seu histórico funeral, o texto é longo as vale muito a pena:

Ayrton Senna, from the heart

O começo: a equipe Van Diemen (Fórmula Ford)

Penso no Ayrton sempre que vou a Interlagos, especialmente porque foi em Interlagos que o encontrei pela primeira vez, em 1976, quando ele tinha apenas 16 anos. Eu estava testando o meu carro de Fórmula 1 da Copersucar, e ele e o pai dele, Milton, estavam assistindo.

Naquele dia, Ayrton competiu com o seu kart no kartódromo de Interlagos, ao lado do autódromo, e como era costumeiro, venceu a prova. Ele estava ganhando tudo no kartismo brasileiro naquela época, e por isso eu já tinha ouvido tudo sobre ele. Também conhecia o seu pai. O Milton era um homem bem sucedido, proprietário de várias fábricas em toda a região de São Paulo.
Milton se aproximou de mim e pediu alguns conselhos – e eu respondi sem titubear. “Entre em contato com Ralph Firman”, disse. Não o Ralph Firman jr, o piloto que correu em 15 provas pela Jordan em 2003, mas sim, o seu pai, Ralph Firman sr, que fundou em 1973 a lendária equipe de Fórmula Ford Van Diemen, próximo ao autódromo de Snetterton, em Norfolk (Reino Unido), e que foi o meu mecânico quando Jim Russell me convidou para correr em seu F3 Lotus 59 no Guards Trophy de 1969, em Brands Hatch – foi a minha primeira prova de F3. Não me qualifiquei na primeira prova, mas venci a segunda etapa e terminei em terceiro na 3ª bateria: nada mal para uma estreia.
Então eu conhecia o Ralph muito bem, e eu o recomendei com muitos créditos, pois tinha certeza de que ele seria o cara certo para o Milton e o Ayrton entrarem em contato e direcionarem os seus esforços para o próximo passo – a importante jornada do Brasil para a Europa, o salto gigante que eu mesmo trilhei sete anos antes. Por sinal, foi um bom conselho: Milton entrou em contato com Ralph, eles fecharam um contrato e Ayrton pilotou, com muito sucesso, os carros da Van Diemen por alguns anos, vencendo o campeonato inglês de Fórmula Ford 1600 com um Van Diemen RF81, em 1981.
Mas eu já sabia que Ayrton seria especial, bem antes de ele se tornar campeão da F-Ford, e por algum tempo estive procurando a oportunidade de ajudá-lo a ir mais longe. Em 1980, eu tive esta chance. Na prova de Osterreichring daquele ano, eu iria correr de F1 e Ayrton competiria na prova de abertura, de Fórmula Ford 2000. Ele tinha 20 anos na época, e ainda era muito tímido. Eu estava em meu último ano na F1, pilotando o Fittipaldi, criação minha e de meu irmão Wilson.
Naquele fim de semana, eu apresentei Ayrton de uma ponta a outra do pitlane de Osterreichring, apresentando-o para cada os chefes de equipe, um a um. “Este rapaz será campeão mundial, talvez será campeão mundial muitas vezes”, eu dizia a todos. Talvez eles acharam que eu estava ficando maluco – ou, mais provavelmente, que estava só fazendo propaganda forçada para um compatriota –, mas eu já sabia que eu estava dizendo a verdade, toda a verdade, e nada mais do que a verdade.

Os meus pilotos favoritos de todos os tempos

Muitos me perguntam qual o melhor piloto de todos os tempos em minha opinião, e frequentemente esta pergunta já tem um direcionamento para que eu diga que é o Ayrton. Mas é muito difícil – talvez impossível – de se equiparar pilotos de diferentes épocas, e é por isso que não gosto muito deste comparativo.
Meus heróis são caras como Tazio Nuvolari, o chamado “mantuano voador” das décadas de 1920 e 1930, que foi descrito por Ferdinand Porsche como “o maior piloto do passado, do presente e do futuro” e que pilotou de forma tão majestosa pela Bugatti, Alfa Romeo, Maserati e finalmente a Auto Union; Achille Varzi, o grande amigo e rival de Nuvolari, que ganhou mais de 30 corridas pelas mesmas quatro fabricantes na mesma época; Rudolph Caracciola, que triunfou no Campeonato Europeu de Pilotos (o predecessor ao Campeonato de Pilotos da F1) pela Mercedes-Benz em 1935, 1937 e 1938; Bernd Rosemeyer, que era praticamente imbatível em seu Auto Union no amedrontador Nürburgring Nordschleife na década de 1930 e que certa vez venceu uma prova com espessa neblina; Juan Manuel Fangio, que venceu 24 grands prix e conquistou cinco campeonatos de F1 durante a década de 1950; Jim Clark, que conquistou dois campeonatos mundiais e 25 corridas pela Lotus entre 1962 e 1968, e que só chegou em segundo em uma corrida (um dado quase emblemático da cultura “ganhe ou quebre” de Colin Chapman, nosso ex-chefe de equipe da Lotus); Jackie Stewart, que venceu três campeonatos mundiais e 27 provas de 99 largadas, e que considero o meu rival mais estimado durante minha carreira na F1; Michael Schumacher, que conquistou 91 corridas e sete campeonatos mundiais, um magnum opus que não sabemos se será batido por Sebastian Vettel, a atual megaestrela da Fórmula 1, que precisa estar entre os grandes pilotos que eu tive o prazer de listar para vocês.
Sem dúvida alguma, Ayrton pertence a esta lista – e, talvez porque ele era brasileiro como eu, e talvez porque ele era o meu amigo, tenho a felicidade de nomeá-lo, sim, como o melhor piloto de todos os tempos, em minha opinião.


Senna, o artesão

Ele era inacreditavelmente bom. É compreensível que ele seja famoso por sua velocidade natural incrível, mas a sua ética e metodologia pródiga de trabalho é frequentemente subestimada. Ele treinava assiduamente e por isso estava sempre em forma perfeita, estudava os dados com os seus engenheiros com cuidado milimétrico e sempre analisava profundamente o seu próprio ofício. Sim, ele recebeu um dom de Deus, uma habilidade sublime, mas ele sabia que isso sozinho não bastaria – e então trabalhou neste talento, o poliu, o deixou impecável, e é por isso que eu uso a palavra “ofício” para falar sobre a sua pilotagem, e não “habilidade” ou “arte”.
Sim, ele era habilidoso, sim, sua pilotagem era artística; mas a razão pela qual ele teve este sucesso supremo foi porque ele era um artesão perfeccionista dentro e fora do cockpit, que não deixava nenhum detalhe passar batido em seus esforços para ser o melhor. Ele se sacrificou para conquistar o seu sucesso, não se engane a respeito disso.
O teste de Senna na Penske
Qual foi a sua melhor corrida? Não consigo dizer, mas uma que brilha de forma instantânea em minha cabeça é o GP da Europa de 1993, disputado em Donington Park (Reino Unido). Ele se classificou apenas em quarto com o seu comparativamente impotente McLaren MP4-8 com motor Cosworth, atrás do Benneton B193 de Michael Schumacher (terceiro) e da dupla imbatível de Williams FW15c de Alain Prost e de Damon Hill, que lideravam o grid; mas no dia da corrida, sob chuva torrencial, Ayrton foi intocável.
Eu assisti a corrida pela TV em minha casa, em Miami (EUA), e fiquei completamente pasmo pela primeira volta de Ayrton. Ele teve uma largada ruim, caiu para a quinta posição, mas o que eu vi na tela da televisão nos próximos 45 segundos foi puramente genial. Não há outra expressão.
Ele encontrou aderência onde ninguém mais sequer sabia que havia para buscá-la, e passou Karl Wendlinger (que tinha o superado na largada), Schumacher, Hill e Prost, um após o outro, e, ao fim da primeira volta, era o ponteiro da corrida com algum conforto.
No dia seguinte, eu o telefonei. “Ayrton, aquilo foi simplesmente inacreditável! Você nunca mais vai fazer outra volta como aquela em sua vida”, eu exclamei. Dentro de minha cabeça ainda escuto a sua reação, um riso envergonhado, mas feliz, enquanto escrevo isso.


O adeus

Apenas um ano depois, ele se foi. No 1º de maio de 1994, o dia em que ele faleceu enquanto liderava o GP de San Marino, em Ímola, eu estava testando o meu Indycar Penske-Mercedes, no oval de Michigan. Eu tinha acabado de começar uma sessão de pé embaixo com tanque cheio, que consiste de 28 voltas naquele maravilhoso super-speedway, onde médias superiores a 370 km/h eram a norma naqueles fantásticos monopostos de mais de 1.000 cv. Eu estava focado, empolgado, fazendo aquilo que era a minha razão de ser, no limite, feliz.
E então o meu chefe de equipe repentinamente me chamou no rádio: “Emmo, come in (entre nos boxes)”, ele disse.
Essa foi uma instrução muito incomum, especialmente durante uma sessão de testes como aquela, então eu respondi “por que, há algo errado com o carro?”.
“Não, não, não, apenas entre nos boxes agora, por favor”, foi a resposta.
E então eu aliviei, desci ao pitlane, trouxe o carro até a equipe da Penske e perguntei “qual é o problema, pessoal?”.
“Sua esposa quer falar com você no telefone”, meu chefe de equipe respondeu.
Senti um frio terrível na boca do estômago. Eu imaginei que algo temeroso tivesse acontecido com um de nossos filhos – não poderia pensar em outra razão para o meu chefe de equipe tratar uma ligação de minha esposa com tamanha urgência. E então eu pulei fora do carro e corri até a garagem, onde um dos mecânicos segurava o telefone com o braço estendido, pronto para que eu atendesse.
“O que foi? É algo com um de nossos filhos?”, perguntei à minha esposa.
“Não”, ela respondeu. “É o Ayrton. Ele acaba de falecer em Ímola”.
Eu fiquei sem palavras. Na verdade, eu não tenho palavras até hoje, nenhuma palavra.

Mas eu irei tentar agora, quase vinte anos depois, expressar o que eu senti naquele momento. Eu senti a mais profunda amargura, a mais intensa tristeza. Ok, eu sabia que o automobilismo era perigoso, claro que sabia, mas, fora o pobre Roland Ratzenberger, que morreu em Ímola no dia anterior, a Fórmula 1 não tinha sofrido uma fatalidade desde o acidente de Elio de Angelis, que morreu testando em Paul Ricard, em 1986, e ninguém tinha morrido durante um GP desde o acidente de largada de Riccardo Paletti, na prova de Montreal, em 1982.
Além disso, os chassis dos F1 da década de 1990 já eram super resistentes, feitos de fibra de carbono, e eu acho que isso nos deu uma falsa sensação de segurança. Nós tínhamos a expectativa de pilotos caminharem ilesos de seus carros arrebentados, mesmo após grandes acidentes, e normalmente eles faziam isso, como inclusive fazem hoje. Mas, como eu disse, o automobilismo é perigoso, nós sentíamos isso em nossos corações na época e ainda sentimos, e mesmo um piloto brilhante como Ayrton seria e sempre será impotente para evitar de se ferir em um acidente tão terrível como o que ele sofreu naquela curva Tamburello, em Ímola, em 1994.
Eu olhei para a equipe da Penske, enfileirada com rostos desmotivados e amargurados, na garagem de Michigan e disse: “Eu não consigo continuar, pessoal. Não agora. Não hoje.”
Eles entenderam. Ayrton tinha testado um Penske-Mercedes da Indycar exatamente um ano antes, então os caras que estavam comigo conheciam o Ayrton, pois eles acompanharam o seu teste. Isso me ajudou. Eu me senti sozinho, mas não solitário. Outros à minha volta compartilharam a minha tristeza, ainda que a perda deles não fosse tão profunda como a minha, solidários à minha reação à notícia da morte deste homem que eu amava e admirava.
Eu liguei para Roger Penske. “Eu preciso ir para casa, Roger”, eu disse.
“Eu entendo, Emmo”, ele respondeu, e eu voei de volta para Miami naquela tarde. No voo para casa, me senti paralisado.
A memória do funeral de Ayrton, que aconteceu alguns dias depois em São Paulo, e que foi seguido por três dias de luto oficial em todo o País, ficarão comigo para sempre. Três milhões de brasileiros formaram um corredor nas ruas de São Paulo por onde o cortejo fúnebre passou – muitos deles chorando abertamente. Me foi dito que esta ainda é a maior concentração de pessoas em luto durante um cortejo da era contemporânea.
Me foi concedida a honra de ser um daqueles que carregariam o caixão de Ayrton – junto com Jackie Stewart, Alain Prost, Gerhard Berger, Damon Hill e Rubens Barrichello. Nós o enterramos no cemitério do Morumbi, em São Paulo, e em seu túmulo está esculpida a frase “Nada pode me separar do amor de Deus”.
Fui incapaz de retornar para visitar o seu túmulo desde aquele dia.
Eu amei Ayrton, o admirei, e também tinha orgulho dele: orgulho de que o Brasil pôde ter um campeão assim. Em 1969, eu cheguei à Inglaterra, e lá obtive sucesso relativamente rápido, ganhando os campeonatos de F1 em 1972 (pela Lotus) e em 1974 (pela McLaren).
Eu me aposentei da F1 em 1980, e minha coroa de “campeão brasileiro” foi imediatamente herdada por Nelson Piquet, que conquistou os campeonatos de 1981 e 1983 pela Brabham e de 1987 pela Williams.
E então, antes mesmo de a estrela de Nelson começar a perder o brilho, o palco da F1 recebeu o maior de nós todos. Ayrton venceu todos os seus campeonatos pela McLaren, em 1988, 1990 e 1991, e o seu nome e aura sempre serão sinônimos àquelas soberbas máquinas vermelhas e brancas.
O resultado – o legado – é uma cultura de conhecimento e respeito aos pilotos de F1 brasileiros que eu espero que nunca morra. Nós três vencemos oito campeonatos em apenas vinte temporadas, o que é uma média impressionante, e o meu irmão Wilson e o nosso amigo José Carlos Pace, que morreu em 1977 e em sua homenagem foi batizado o circuito de Interlagos, também devem ser honrados por suas contribuições – como Rubens Barrichello e Felipe Massa, que venceram 11 GPs cada um, e o caso de Felipe ainda pode somar à conta; e eu torço para que some.
Mas, como eu disse, o Ayrton era o maior de nós – e, quase 20 anos após ele ter sido levado da gente, ele ainda é amado com devoção fervorosa no Brasil. E, na corrida deste domingo (24 de novembro de 2013), enquanto eu caminhava para Interlagos, enquanto eu acenava para a torcida calorosa, eu não apenas acenei por mim, mas também por Ayrton, que venceu dois grande prêmios em Interlagos, em 1991 e em 1993, ambas as vezes pela McLaren: dois dos dias mais felizes de sua vida.

Eu sinto a presença de Ayrton todos os dias. Sei que um dia nos encontraremos novamente.

Rômulo Rodriguez Albarez - São Paulo/SP - Uma bosta!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

F1 2013 - O último fim de semana de Mark Webber


Mark Webber está em seu último fim de semana na Fórmula 1, um pena. E entre as muitas entrevistas que está dando sobre sua saída, selecionei uma do site dailymail. Mark fala sobre seu carro e pista favoritos, companheiros de equipe e rivais, abaixo:

Dailymail - Qual é o seu circuito favorito ?
Mark Webber - Spa -Francorchamps , na Bélgica.

Dailymail - Qual o circuito mais difícil ?
Mark Webber - Cingapura , por causa das luzes e é irregular . É muito repetitivo, por isso é fácil de se cometer um erro.

Dailymail - Em que pista de você teve o seu melhor carro?
Mark Webber - Das vitórias são agradáveis. Assim, gostaria de ter uma das minhas vitórias, provavelmente o Grande Prêmio de Mônaco de 2010.

Dailymail - Qual foi o melhor carro que você dirigiu?
Mark Webber - Foi o Red Bull de 2010, o RB6, com os pneus Bridgestone. Pneus são sempre importantes para o melhor, também.

Dailymail - O circuito que gostaria de ver o retorno à Fórmula Um calendário?
Mark Webber - Imola.
Mark Weeber entre Fernando Alonso e Sebastian Vettel
Dailymail - Quem foi o melhor piloto que você competiu, e por quê?
Mark Webber - Essa é uma pergunta difícil. O melhor piloto que já competi foram? É uma estreita ligação entre o Fernando Alonso e Sebastian Vettel.

Dailymail - Quem foi o seu companheiro de equipe favorito?

Mark Webber - Isso não existe.



Rômulo Rodriguez Albarez - São Paulo/SP - Sei lá o que fazer!

F1 2013 - GP Brasil - É hora de dar tchau!

A vitória de José Carlos Pace no Brasil em 1975
O campeão do ano já está definido, Sebastian Vettel sagrou-se campeão duas corridas atrás, mas nem por isso o GP do Brasil de 2013 perde importância.
A dança das cadeiras corre solta, nomes importantes como Nico Hulkenberg e Sergio Pérez ainda estão sem vagas, sem contar com Pastor Maldonado e sua fortuna petrolífera. Nas equipes, Force India e Sauber não tem nenhum piloto garantido e pode ser um destino interessante para os três, mas ao que parece, nada mais será anunciado até terminar a temporada.
No clima de adeus está Mark Webber, o australiano se despede da Fórmula 1 e no próximo ano corre na Porshe, enquanto Felipe Massa, em sua última corrida pela Ferrari, já sonha com novos ares para 2014, o brasileiro defenderá a Williams no ano que vem.
É a semana em que nos lembramos de nossos pilotos brasileiros, com suas vitórias e suas derrotas em casa, desde Emerson Fittipaldi, passando por José Carlos Pace, Nelson Piquet, as vitórias dramáticas de Ayrton Senna, os dramas de Rubens Barrichello e os triunfos e superação de Felipe Massa. Na alegria e na tristeza, o GP do Brasil é sempre especial.
Nossos brasileiros e seus momentos em casa
Rômulo Rodriguez Albarez - Sampa/SP - E a chuva de sempre...

F1 1991 - GP do Brasil - Vitória de Ayrton Senna

dir p/ esq: Riccardo Patrese, Ayrton Senna e Gerhard Berger
Fim de semana de GP do Brasil sempre dá um clima de nostalgia, sempre está chovendo e sempre nos lembramos de Ayrton Senna. Abaixo os melhores momentos da vitória de Senna aqui no Brasil, em 1991, com apenas duas marchas:


Rômulo Rodriguez Albarez - Sampa/SP - Paul McCartney 22/11/2010